Florence Alves Pereira de QueirozA Neurociência vem revolucionando o campo das ciências com grandes avanços e novas descobertas. Ela parte do princípio de que o cérebro é o grande responsável pela cognição e pela consciência humana. Porém, ao fazer uma análise histórica sobre o cérebro, percebe-se que este passou por inúmeras interpretações científicas ao longo do tempo, sendo que algumas delas esbarraram em questões religiosas, visto que, em determinada época, qualquer teoria, para ser aceita e difundida, deveria ser bem-vista e bem-vinda pela Igreja.

Mas, mesmo com todas as dificuldades, vários nomes foram importantes nesse estudo, como: Descartes, Hipócrates, Galeno, Paul Broca e Cajal. Esses e outros contribuíram para o que hoje se sabe sobre o cérebro e, mais precisamente, sobre o sistema nervoso e suas funções.

Quando se fala em Neurociência, deve-se compreender como o estudo ou um conjunto de conhecimentos relativos ao sistema nervoso. Porém, partindo para um sentido mais amplo, segundo LENT, é o ?conjunto de disciplinas que tratam do sistema nervoso e que nasceu da busca das bases cerebrais da mente humana?. (LENT, 2008, p. 02) E o que tem haver Neurociência com educação escolar? Tudo. Cada vez mais, estudos têm mostrado que a Neurociência pode contribuir significativamente para uma aprendizagem consolidada e não apenas memorizada, o que hoje é bastante comum.

O cérebro é o responsável pelo raciocínio lógico do ser humano e, diante da sua atuação, pode-se assimilar, processar, acomodar novas informações, lembrar-se daquelas já existentes na memória e também associá-las para, por exemplo, formular uma resposta mais apropriada para um determinado problema.

O cérebro recebe, processa e organiza as informações, sejam elas provenientes de sons, de imagens, de textos, de músicas ou de discursos. A partir daí, ele descarta ou armazena aquelas que julga necessárias para o indivíduo. Sendo assim, quanto mais estímulos o cérebro receber, de diferentes fontes, maior será a capacidade de estabelecer ligações com as informações que já estão arquivadas e, maior será a capacidade de novas conexões sinápticas1 e, consequentemente, maior será a capacidade de aprendizagem.

Portanto, toda vez que houver uma associação entre uma nova informação e aquela já obtida, o aluno ativará sua memória e isso facilitará a compreensão dos conhecimentos e os significados dos conceitos, fazendo com que o ensino se torne realmente uma aprendizagem e não apenas uma memorização. Isso quer dizer que um ensino bem sucedido provoca alterações na taxa de conexão sináptica afetando a função cerebral e, cada vez que um determinado impulso sensorial particular passa através de uma sequência de sinapses, estas tornam-se mais capazes de transmitir o mesmo impulso da próxima vez. Esse processo é conhecido como facilitação sináptica, tão importante no aprendizado e na memória.

Por isso, quando se fala em aprendizagem, compreende-se que o cérebro é matricial nesse processo e, que, quanto mais estímulos forem oferecidos a ele, mais haverá modificações biológicas na comunicação entre os neurônios, formando assim uma rede de interligações que podem ser evocadas e retomadas com relativa facilidade e rapidez. Lembrando que todas as áreas estão envolvidas no processo de aprendizagem, inclusive a emoção.

A seguir, apresentamos algumas dicas para que os professores possam estimular os cérebros de seus alunos e facilitar a aprendizagem:

  • Sempre que possível, trabalhe utilizando os cinco órgãos dos sentidos para proporcionar aos alunos sensações diversas;
  • O cérebro deve ser estimulado sempre, em todas as idades, mas principalmente na infância, pois é quando ele está em pleno processo de evolução, portanto, propicie às crianças o contato com experimentos artesanais, filmes, dança, teatro, música;
  • Fale bastante com elas para enriquecer o vocabulário;
  • Promova situações em que se estimule a formulação de hipóteses, como a resolução de ?casos? e simulações;
  • Utilize games, eles são ótimos para estimular o raciocínio lógico, a atenção, a concentração e os conceitos matemáticos.

O ideal é que o professor tenha a Neurociência como sua aliada no processo de ensino- aprendizagem, buscando oferecer aos seus alunos aulas mais dinâmicas e lúdicas, pois, assim, suas aulas irão gerar um efeito positivo e, consequentemente os alunos aprenderão melhor, agindo de maneira ativa na sala de aula. Dessa forma, serão capazes de construir seus próprios saberes, num processo flexível e dinâmico em que tanto o professor quanto os alunos serão capazes de descobrir o caminho para uma aprendizagem de sucesso.

Florence Alves Pereira de Queiroz
Psicopedagoga e Pedagoga. Ed. Especial
Mãe dos alunos: Iasmim Pereira de Queiroz (Mat. III) e Gabriel Pereira de Queiroz (2o ano)
Referências: LENT, Roberto. Neurociência da Mente e do Comportamento. RJ: Guanabara Koogan, 2008.
QUEIROZ, Florence Alves Pereira de. As Contribuições da Neorociência para a educação escolar.
RELVAS, Marta Pires. Neurociências e Transtornos de Aprendizagem: as múltiplas eficiências para uma educação inclusiva. 2 ed. RJ: Wak, 2008.